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20 Março 2004

Declaro oficialmente a extinção deste blog.
Foi um projecto arrojado que pretendia levar os participantes à discussão de diversos temas e que permitisse que cada um tivesse o seu espaço, os seus ideiais e que todos pudessemos lucrar com a troca de ideias. Não resultou como esperava, ou só resultou como queria por muito pouco tempo. É certo que cada vez a vida é mais complicada e não arranjamos tempo para outras ocupações mas espero que todos os que participaram tenham lucrado com esta iniciativa. O meu muito obrigado a todos os que participaram e se interessaram pelo Blog e a todos aqueles cibernautas anónimos que nos visitaram.
Obrigado e até à próxima.

23 Janeiro 2004

A GREVE, como eu gosto da greve! Uma das coisas que mais gosto é o sossego que há nos grandes centros urbanos quando há greve, no sossego que há no país quando as pessoas ficam em casa para não ir trabalhar!
Mas... há sempre um mas! Segundo o Director de S. José em Lisboa houve menos 30 doentes urgentes, o que dá que pensar! Se as pessoas estão doentes vão ao hospital, se as pessoas que trabalham não vão trabalhar, as pessoas que não trabalham (doentes ou não) não vão ao hospital! É óbvio que isto não é factual... mas é quase! Não será preferível aproveitar um fim de semana prolongado, mesmo doente, do que ir trabalhar em perfeita saúde?!
Será que quando as pessoas trabalham estão mais dispostas a perder um dia inteiro no hospital para serem atendidas do que as pessoas que estão de férias ou de greve? Será que quando dá na televisão um Benfica-Sporting não há ninguém nas urgências?! Será que os centros de saúde funcionam ou as pessoas nem se dão ao trabalho de ir ao seu médico de família?
A saúde em Portugal é uma doença incurável!

17 Janeiro 2004

A inteligência é uma coisa que me fascina, sempre gostei de saber o que estava por detrás da burrice de uns e da genialidade de outros, por isso sempre me esforcei para não cair na primeira! Não me considero burro, muito menos inteligente, sou apenas mais um no meio de biliões de tipos medianos que fizeram e fazem o que têm a fazer, correndo o risco de nunca ficarem para a história pelo simples facto de não serem diferentes do vizinho do lado!
No entanto a história está repleta de homens e mulheres que mesmo burros que nem portas conseguiram ficar para sempre lembrados, quer pela sua burrice completa ou pelas maravilhas que fizeram com a sua "burrice"! Há, no entanto, aqueles que são cromos, perdão, cromíssimos! Não no sentido irónico mas sim no sentido da genialidade que está em todos os cromos! É verdade que muitos fizeram o teste de QI da Tvi e não ficaram satisfeitos com a "dureza" da prova, achavam que era demasiado simples...para estes que querem ser cromos fica aqui o site dos que são realmente cromos!
Só tenho a desejar boa sorte!

International High IQ Society

12 Janeiro 2004

A sede de conhecimento é algo que qualquer pessoa que goste de pensar tem, mas é cada vez mais complicado saciar este desejo com a ajuda de outros! É uma atitude que extremamente solitária que nos faz perder o contacto com os outros e com outras opiniões! A tertúlia está a desaparecer!
Nos tempos agitados que correm quem é que tem tempo para se reunir num restaurante ou bar até às duas da manhã com os amigos para uma conversa inteligente? Gostava de voltar aos tempos em que num qualquer café "Central", numa qualquer pacata vila se reuniam diariamente os "pensadores" da terra. Estes "pensadores" não eram mais do que o médico, o latifundiário e o seu feitor, o dono do café, o merceeiro, o livreiro e o jornalista, entre tantas outras nobres profissões, que à volta de uma mesa do café falavam abertamente sobre o país, as suas vidas, as suas crenças e o que esperavam da vida! A confluência de todas estas vidas e diferentes saberes eram o tónico ideal para noites de aprendizagem ao mais alto nível! Bastava estar sentado na mesa ao lado e apreciar as diferentes perspectivas, era um ensino rápido, eficaz e deveras divertido!
A vida não é feita de estudo e ciência, de saber ou de senso comum, é feita de influências, de vivências e acima de tudo de contacto com os diversos mundos que nos rodeiam! Eu quero voltar atrás no tempo e viver nesta pacata vila e beber do saber de experiência feito destes homens e mulheres que com as suas vidas davam vida e alimentavam almas sequiosas de saber como a minha!

11 Janeiro 2004

Será que este nosso pequeno blog está em perigo com estas afrontas à liberdade de expressão? Será que o artigo da Constituição vai ser alterado e vamos ter de refrear os nossos comentários? Fico à espera! Até lá espero continuar a usar e abusar deste artigo tão nosso, tão bonito e dos poucos que até não estão nada mal!

Neste nosso pequeno país de faz de conta queria lançar a seguinte questão, será que ninguém se apercebe que aquilo que o governo está a fazer com esta história das Grandes Áreas Metropolitanas, Comunidades Urbanas e Áreas Intermunicipais é uma regionalização sem regiões? Os argumentos usados pelo Secretário de Estado são os mesmos que eram esgimidos pelos regionalistas... Eu até sou a favor da regionalização, mas não há um artigozito na Constituição que obriga a que antes da regionalização haja referendo? Isto sou só eu que digo, não sei...

23 Dezembro 2003

O Artigo 37 deseja um Feliz Natal a todos os que por aqui passam e perdem tempo connosco, aos que não gostam do blog resta desejar um Natal não tão bom como os dos outros, um Natal mediano! Meri critma e que o Pai Natal seja um mãos largas! Mãos largas espiritualmente, porque já todos sabemos que ele também sofre a crise!

08 Dezembro 2003

Os telejornais voltam a fazer das suas, a venda de crianças televisionada é o último grito em televisão em movimento! Acredito que muitos portugueses estão contentes com a brava intervenção de corajosos jornalistas que entram no mundo do tráfico de crianças, captam imagens exclusivas e fazem 30 minutos de telejornal sensacionalista.
Resta saber se estas intervenções à Hollywood não vão prejudicar investigações policiais, se estão relacionadas com investigações policiais ou se são feitas com a colaboração dos nossos agentes! Faz-me confusão ver uma reportagem em que estão jornalistas a fazer de isco e depois aparece a policia para prender os vendedores! Até que ponto vamos ter um país a reboque dos media? Todos sabemos que eles têm uma força incrivel mas devemos acreditar em tudo o que nos dizem e no que vemos? Ou temos de ler nas notícias o que devia ser a notícia?
Quero um telejornal de 30 minutos sem ligações em directo para Viseu onde há a maior broa do mundo, sem ligações a Bagdad onde os nossos GNR se queixam porque so comem "massa" e sem a ligação final para a desertificação de uma aldeia localizada para lá da modernidade!
Quero imprensa de direita, quero imprensa de esquerda, não quero que haja imprensa contra tudo e todos, quero um Portugal um bocadinho mais evoluído.

Desejava chamar à vossa atenção para o seguinte facto: porque raio é que o PDM de Lisboa foi alterado esta semana sabendo que tem de ser revisto (é uma obrigação legal) para o ano que vem? E quando se fala em revisto é mesmo rever todos os artigos. Será que os lobbyes do betão não podiam esperar um ano? E já agora, temo pelo futuro do Quartel do Carmo, que é onde nasceu a democracia portuguesa tal como a conhecemos, com a passagem do poder para as mãos do General Spínola. Só espero que não vá para lá um dos prometidos silos de betão de estacionamento prometidos para uma série de bairros históricos.

07 Dezembro 2003

Estava eu a folhear as páginas do Independente, numa das minhas tentativas de culto intelectual, quando me deparei com a crónica da Constança Cunha e Sá. Por curiosidade, ou talvez influenciado pelo título sugestivo de “azares” resolvi-me pela sua leitura.
O tema glosado ou gozado pela autora prendia-se essencialmente com a Juventude Popular- vulgarmente conhecida por JP. Dizia ela e passo a citar “a JP é apenas um grupinho inconsequente de meninos e meninas que se alimenta ideologicamente dos trocadilhos do Dr. Paulo Portas. Dêem-lhes uma frase, daquelas com efeito, que mostram, acima de tudo, a inteligência do chefe e eles fazem a festa [...] na esperança de se transformarem por osmose, presume-se- em pequenos Paulo Portas do futuro, com os seus fatinhos a preceito, as suas frases provocadoras e o seu requintado conservadorismo.”
Nada meiga para com os visados. Talvez mesmo demasiado severa.
Antes de mais, devo dizer que me ri bastante com a descrição caricatural feita, pese embora não partilhe da mesma opinião.
Pergunto-me, no entanto qual terá sido o motivo deste duro e não inocente ataque. Basta uma leitura atenta para concluir que o último alvo é o Dr. Paulo Portas. Por três vezes se refere ao líder do CDS-PP. Deste modo, julgo não estar a fugir à verdade quando digo que o grande pecado da JP é se identificar com o seu chefe (falo obviamente da perspectiva da autora).
Parece-me errado e nada objectivo, ainda para mais vindo duma jornalista, fazer uma apreciação da actividade da Juventude Popular recorrendo à sua evidente e justificável estima pelo seu líder. Com efeito, é indubitável o papel importante JP na conjuntura política. Reduzi-la, desta maneira, à imagem negativa que se possa ter do Dr. Paulo Portas é injusto e revelador de uma enorme tendenciosidade.

06 Dezembro 2003

Miguel:
depois de muita troca de galhardetes, aqui estou a dar a prometida, não só a minha primeira contribuição para o blog, como também a primeira contribuição feminina para o mesmo. (Raquel: o Miguel manda dizer que devias ter vergonha como membro fundadora do blog de não seres tu a tê-lo feito! Agora, já lhe podes contar que eu te repreendi formal, longa e duramente sobre o assunto, para ele depois me poder vir dizer que, de facto, eu em direito não seria um génio porque me faltam os poderes persuasivos para convencer as pessoas!!!)
Mas passando a questões menos pessoais...

Meus senhores, (uma vez que as senhoras não têm feito contribuições fico-me por aqui! Pode ser que picando-as desta maneira elas se acusem!) na semana que passou achei de salientar dois comentários que vi em canais nacionais de televisão, o primeiro pela piada e o segundo pelo muito que me impressionou.
Desde o princípio do mês de Novembro a sic lançou uma campanha publicitária relativa aos números das ví­timas de violência doméstica. E cumprindo com o previsto na Quarta, 26, no dia mundial de portugal, contra a violência nas mulheres em casa, doméstica, portanto (...)(por incrivel que pareça, ou não, isto foi ipsis verbis o que a senhora dona Catarina Fortunato de Almeida, ex-Tallon, disse na Terça-feira num programa televisivo), a dita estação de televisão fez um programa a que deu o nome de "Portugal em directo", em que se discutiu o problema.
Como todos sabem, ou pelo menos presumo que assim seja, a violência doméstica não é de todo um problema do tempo da outra senhora, e a prová-lo estão as estatísticas, nem um problema que se possa dizer tão distante da nossa realidade quanto se possa pensar, mas não é de todo nisto que quero falar, e sim de algo que aconteceu no dito programa.
Numa mesa redonda encontravam-se sentadas 6 pessoas, Conceição Lino (apresentadora), 2 mulheres (actualmente divorciadas mas que foram ví­timas de maus tratos durante os casamentos), 1 representante da APAV, um psicólogo e uma sexta pessoa que lamento mas não me recordo quem era.
Tenho pena de dizer que não vi o programa desde o início, nem vi o fim, mas vi o suficiente para dizer que dou os parabéns às duas senhoras por darem a cara e terem tido a coragem de um dia terem dito basta, saindo porta fora de casa onde foram extremamente violentadas durante anos, às pessoas da APAV que apoiam estas pessoas.
Mas acima de tudo devo agradecer ao senhor de 37 anos que telefonou da Alemanha, pela visão elucidativa que deu sobre a mente de alguém que é capaz de descarregar as suas frustrações em alguém mais fraco.
Pois é, não estou a gozar mas, depois de 2 telefonemas impressionantes, ambos de mulheres contando as suas histórias, a 2ª das quais relatou que depois de ter dado a cara nas noites marcianas foi ví­tima de 3 tentativas de atropelamento por parte do ex-marido e 6 processos de difamação (4 dos quais ele perdeu os outros 2 estão pendentes), telefonou o dito senhor.
De nacionalidade portuguesa, emigrado há 10 anos, entre gaguejos e hesitações, o senhor disse entre outras coisas o seguinte:
Percebo que a violência doméstica é um problema muito grave e que deve ser combatido para não morrerem tantas mulheres como vocês dizem que morrem, mas há que ver que os homens não as querem magoar muito. Querem apenas ensina-las a preocupar-se com a famí­lia, mostrar-lhes como uma famí­lia deve ser unida, e guiá-las por forma a perceberem que o homem é sabe o que é melhor para elas.
Conceição Lino que manteve a postura, apesar do ambiente no estúdio ter descido para dez graus abaixo de zero, e da visivel perturbação à volta da mesa sobretudo das duas mulheres ali sentadas, ainda tentou salvar o telefonema dizendo:
tenho a certeza que o senhor concorda que a violência doméstica é um problema e que o que estes relatos que têm sido contados ao longo da noite são extremamente perturbantes.
Ao que ele acrescentou:
Pois, pois, tem toda a razão, mas o que eu quero dizer é que é para o bem delas, quando eu quero uma coisa feita é para o bem de todos, não apenas para o meu bem pessoal, do homem, ele apenas guia e diz que as coisas devem ser feitas como eu as vejo, porque o que quero é o melhor para todos, os homens não estão cá para prejudicá-las ou magoá-las e se forem parar ao hospital...

Foi esa a altura em que o telefonema foi cortado e eu infelizmente tive de parar de ver o programa.
Mas fiquei a saber que aquela piada do anda cá que eu já te mostro como é que isso se faz como deve ser, afinal, para muita gente não é piada nenhuma....

03 Dezembro 2003

A blogosfera tem sido recentemente inundada de posts acerca da vexatia questão do aborto. Não pretendo, de maneira nenhuma, espremer ainda mais esta matéria. Fico-me apenas com uma mera e breve reflexão.
Será que se hipoteticamente fosse concedida a possibilidade de fazer um aborto, em qualquer circunstância, isso não iria redundar numa maior desresponsabilização por parte dos envolvidos? Sou incapaz de responder a isso. No entanto, (e aqui não posso deixar de reconhecer a minha formação católica) sei que muitas vezes quando nos deparamos com determinadas situações, enveredamos pelo trilho errado. As mais das vezes escolhemos o mal (faço aqui mea culpa). Ora reconhecendo esta nossa fragilidade nos momentos de escolhas difíceis, não será legítimo concluir que perante a situação do aborto, não façamos talvez a mesma coisa??


02 Dezembro 2003

Ainda acerca da questão da revisão constitucional cumpre-me dizer uma ou duas palavras. Em primeiro lugar para dizer que apesar de discordar com o argumento de fundo do PR, concordo em parte com a sua posição. É claro que Espanha é um caso muito específico de constitucionalismo, o exemplo foi mal escolhido porque, em primeiro lugar em Espanha tem-se medo de rever a Constituição por se temer o reforço das autonomias que podem por em causa a unidade do Estado espanhol e por outro lado isto não é uma questão de contabilidade ("eu tenho mais revisões que tu"), o que interessa são as opções de fundo. As da nossa CRP são iguais ou talvez melhores (pelo menos a nível de direitos, liberdades e garantis) ás de qualquer outro país europeu. Concordo por isso que não se faça uma (outra, já houve a de 97 que não foi propriamente perfeita) revisão de fundo da constituição. O chamado carácter socializante do texto original que tanto assustou algumas pessoas nunca foi posto em prática e foi à muito expurgado do texto. De nada vale andar a mudar constituições para elas se aproximarem o mais possível do programa dos nosso partido porque se os outros partidos fazem o mesmo andamos sempre a rever e nunca se chega a lado nenhum. Uma constituição elaborada por assembleia é, por definição compromissória, porque é isso que a democracia é: fazer compromissos. Hoje em dia a Constituição não é certamente um dos maiores problemas do nosso país.

30 Novembro 2003

Caro Tiago, antes de mais, devo-te dizer que subscrevo quase na totalidade aquilo que dizes, excepção feita acerca da justificabilidade da inquietação do P.R. No entanto, quer-me parecer que te desviaste, de certa forma, da minha principal preocupação. Ora repara, o PR. ao afirmar a sua perturbação perante a constante mutação do texto constitucional, está a basear-se em sofismas. Senão vejamos, as duas primeiras revisões constitucionais, como tu acertadamente referes, tiveram essencialmente como propósito eliminar expressões de elevada carga ideológica e retirar à CRP o seu exagerado caractér socializante. Assim sendo, estas revisões servindo finalidades de limpeza semântica do pecado original deviam, em meu entender, ser descontadas na contabilidade presidencial. Subtraindo também a terceira revisão constitucional que foi motivada pelo Tratado de Maastrich, restam-nos duas ditas revisões.
Perante este cenário o argumento do PR. e também o teu perde algum peso, na medida em que já não é coerente acusar os sucessivos governos de manipular as revisões a seu bel-prazer. Na verdade, ou talvez na minha visão binocular, estas tem sido fruto das circunstâncias, pelo menos na sua maioria. Obviamente que “não podem ser feitas em cima do joelho, devem ser precedidas de amplos debates públicos e reunir um consenso social determinante.” Seria insensato, da minha parte, ignorar esta vertente.
Para finalizar, uma palavra de apreço pela tua participação. Já era altura de surgirem este género de comentários.


Nao posso deixar de fazer um pequeno, rápido ( porque o tempo urge) e simples comentário ao último texto apresentado pelo "bloggista" Afonso Menezes. Efectivamente, devido às circunstâncias em que foi elaborada, a nossa Constituição de 76 ficou marcada por um conflito entre um princípio democrático e um princípio socializante. Numa palavra, viria a ser uma constituição "compromissória". Contudo, se num plano formal esta antítese de princípios existia claramente, já a prática constitucional foi sempre no sentido de dar prevalência ao princípio democrático, daí a necessidade, que cedo se sentiu, de alterar o texto da constituição. A eliminação de expressões de elevada carga ideológica e o objectivo de retirar à CRP o seu indubitavel carácter socialista inicial foram levados a cabo pelas duas primeiras revisões constitucionais, maioritariamente. Quanto às restantes revisões, essas foram motivadas por outro tipo de preocupações (nomeadamente derivadas da integração de Portugal na União Europeia). A revisão constitucional que se avizinha já nada tem que ver com "as falhas democráticas que se verificaram no âmbito do processo constituinte". Daí que, quanto a mim, seja perfeitamente justificável a preocupação do nosso Presidente da República ao ver degradar-se a força normativa da nossa CRP. A constituição não é uma lei qualquer, é a unidade normativa de toda a nossa ordem jurídica. Não deve ser alterada arbitrariamente ao sabor das legislaturas e muito menos poderá ser um instrumento ao serviço de ideologias políticas concretas. Uma revisão constitucional não pode ser feita em cima do joelho, deve ser precedida de amplo debate público e reunir um consenso social determinante. Se as revisões podem servir para democratizar, o seu excesso pode conduzir à degradação da unidade da ordem juridica e ao enfraquecimento do Estado de Direito Democrático. E por aqui me fico...cumprimentos a todos!

29 Novembro 2003

A REVISÃO CONSTITUCIONAL
Jorge Sampaio veio anteontem a público, na cerimónia que assinalou os vinte anos do Tribunal Constitucional, manifestar a sua discordância com a sexta revisão constitucional que está em curso. Em meu entender, tal intervenção é inoportuna e em nada contribui para a consolidação das relações institucionais entre o mesmo e o Chefe do Executivo.
Segundo o Presidente da Républica “a permanente instabilidade e mutação constitucional degrada inevitavelmente a Constituição e mina a sua força normativa.” Este argumento, fundado na necessidade de assegurar /preservar a segurança jurídica que deve advir das normas fundamentais é forte, mas não me parece decisivo a ponto de afastar as revisões pretendidas.
Contudo não foi esse o ponto que me chamou a atenção. Foi o paralelo que estabeleceu entre a Constituição Portuguesa e a Constituição Espanhola que mais me espantou. Com efeito, diz o Presidente não entender como em vinte anos termos tido cinco revisões constitucionais, sendo que a nossa vizinha Espanha, cuja Constituição data de 1978, teve apenas uma. Tal posição causa estranheza, pelo facto de ignorar por completo que a nossa Constituição surgiu no culminar de uma revolução, com todas as influências que isso acarreta. Basta atentarmos nos Pactos MFA – Partidos, para concluir isso mesmo. Os militares, detentores da liberdade revolucionária, obrigaram os deputados da Assembleia Constituinte a assinarem e inserirem respectivamente determinadas cláusulas no texto da Constituição, violando com isso a liberdade de discussão e deliberação. Ora são exactamente estas “falhas” democráticas que se verificaram no âmbito do processo constituinte que se tem vindo a corrigir.
Espero, por isso, que para o futuro próximo o P.R. pondere mais demoradamente antes de emitir qualquer comentário. Para bem da estabilidade política em Portugal...

28 Novembro 2003

O Pacto de Estabilidade e Crescimento morreu, viva o directório franco-germânico. Isto só prova que na UE sobrevive e reina a politica dos mais fortes debaixo da retórica melada dos eurocratas. Debaixo da capa da Comunidade a pura e dura Realpolitik... O mais irónico é que as regras do PEC foram feitas para conter o défice em Itália (nunca ninguém acreditou durante as negociações que algum país ibérico conseguisse entrar) pela sempre ciosa Germânia, e agora... Bem vamos lá ver que ventos vão soprar dos lados de Bruxelas

24 Novembro 2003

"Ask not what your country can do for you, ask what you can do for your country." JFK
Não vos parece que esta célebre frase de Kennedy está algo esquecida nos dias que correm?

21 Novembro 2003

Tendo em conta os posts já deixados pelos interessados e ilustres colunistas, vamos deixar este assunto de lado e partir para outro! Como a única coisa que faço aqui é fazer com que o blog ande para a frente e não seja mais uma perda de tempo, vou passar a aceitar todo os assuntos que quiserem explorar neste forum. A partir de hoje podem escrever o que quiserem, a censura não mora aqui!
Quero agradecer a colaboração de todos os que não perderam tempo a escrever, e agradecer o (momentâneo) silêncio dos colunistas que, embora inscritos, não devem ter gostado muito do tema inicial, mas agora vão estar livres do espartilho por mim imposto! Não posso deixar escapar o agradecimento ao "enviado especial", em Zaragoza, Pedro Lima, que reparte os seus ensinamentos em Economia e da mulher espanhola com o artigo 37! Muito obrigado a todos!
Let the posts begin!!

18 Novembro 2003

Após ter sido merecidamente alertado resolvi finalmente postar algo acerca do papel dos jovens na sociedade.
Parece-me óbvio que a participação activa de todos nós nos assuntos correntes é de salutar, tanto mais que seremos nós a acarretar com as decisões que se tomarem no presente.
No entanto, essa participação assume, por vezes,direcções claramente erróneas. Ou seja, embora seja louvável que os jovens se interessem pelos problemas que assolam a nossa comunidade, há que ter presente que essas participações devem ser minimamente seleccionadas e ponderadas. Não há que participar pelo simples facto de participar, mas sim quando tal seja benéfico e dê mostras de ser eficaz (dentro dos limites da razoabilidade). É exactamente por este pressuposto não ser devidamente tido em conta, que a actuação dos jovens tem sido pautada por intervenções patéticas e despropositadas (julgo não ser necessário precisar os comportamentos em questão).
Enfim, espero que para o futuro antes mesmo de se incentivar à participação dos jovens na sociedade se enverede por uma política orientadora e formativa dos mesmos, de forma a tentar evitar episódios como os recentes.

17 Novembro 2003

Apenas um breve Blog para dar o meu contributo para o amenizar da Ira do grande Cowboy Brito.
Por hora limito-me a dar os parabéns pela iniciativa e espero que o conteúdo esteja sempre ao nível da ideia.
Importante dar a conhecer um exemplo que contesta a ideia da “novidade” da Blogosfera em Portugal, mas antes de mais um exemplo de um dos mais famosos Blogs Portugueses de há uns meses e que sem margem para dúvida deixa bastante saudade... em mim e em muitos que quase religiosamente líamos tudo o que lá se escrevia. Passem por lá e leiam alguns dos Posts mais antigos que valem muito a pena! Mesmo que não concordem com a ideologia em si, pelo menos saberão reconhecer o que é de facto um Blog de qualidade. Falo-vos da “Coluna Infame” (www.colunainfame.blogspot.com)
Os meus Votos uma produção escrita neste Blog não em quantidade (como exige o Brito) mas em Qualidade!
PL

14 Novembro 2003

(Nota breve:tive de eliminar os acentos porque davam erro, tendo alguns sido susbtituidos por "h", a administracao pede desculpas pelo facto alheio ah nossa vontade eheh)

Carissimas e carissimos con-bloguistas (esta deve vir de confrades),

Muito me apraz estar aqui entre vos, ser um dos eleitos pelo Miguel (Oh urso, quando eh que combinamos uma saida com copos ah  mistura cah na minha terra? O mesmo se aplica ao Tiago e ao urso-mor Andre!!).

Escrevo-vos numa sexta feira que foi antecedida de mais uma semana alucinante.....esta vida de estudante-trabalhador nao eh facil como devem compreender. Enquanto estudante ha um minimo de aulas a que devemos fazer questao de assitir (eheh)..no entanto essas minhas ditas aulas constam no horario a horas completamente pornograficas....8 da manha (!!!) e dias ha em que se prolongam ate as 18h30. (Nao esquecer que ha ainda as festas academicas a que nao se pode faltar!!!) Para alem disto ha uma determinada empresa em que passaram a contar com os meus prestosos servicoos ocasionalmente (cada vez mais frequentemente...diariamente...para mal dos meus pecados), escusado sera dizer que o regime politico vigente na dita empresa eh o Paitronato, o que ainda agrava um bocado mais a exigencia da "coisa" e faz com que o saldo da conta bancaria no fim do mes nao surta grandes efeitos do esforco feito!!!

Nos ultimos tempos muito se tem falado e principalmente contestado sobre as famigerados propinas do ensino superior publico e o seu aumento.

Deixo em breves passos o meu ponto de vista (suspeito...uma vez que frequento o ensino concordatario, vulgo Universidade Catolica Portuguesa, onde todos os meses deposito uma avultada quantia).

Quem eh o principal beneficiado do ensino? Resposta: Os proprios alunos!! (Quem diria, hein???) No entanto tambem concordo que a propria sociedade eh beneficiada quanto maior for o nivel de escolaridade da populacao.

Mas voltemos ao raciocinio, e os alunos que sao os principais beneficiados nao querem pagar mais...e depois ainda se vem queixar que a qualidade do ensino, professores e instalacoes eh uma MERDA?? (desculpem o termo, mas nao me ocorreu outro tao potente e que causasse efeito como este)

Eh sabido que um aluno de um curso superior custa em media (atencao que estou a falar de valor MEDIO) ao Estado Portugues 4500 euros/ano (900 contos dos antigos)...e que cada aluno paga de propinas....ate me abstenho de dizer pq a discrepancia eh de ir as lagrimas!!!

E impressao minha ou quem nao tem condicoes para pagar a propina ja hoje em dia pode recorrer a bolsas especificas para o assunto e fica com o caso resolvido? Entao o argumento da falta de capacidade financeira cai por terra!

Depois de tudo isto ainda me resta um pequeno ponto a expor...TRANCAR A UNIVERSIDADE A CADEADO??? Entao mas aquilo nao eh propriedade do Estado? E o Estado nao somos todos nos e todos aqueles que ano apos ano pagam impostos para que os servicos estatais sejam providos? E eu comum cidadao nao posso la entrar porque um grupo de pseudo-estudantes-mais-amantes-de-greve-de-baldas-e-de-borga-que-de-aulas se lembrou de barrar a entrada de um edifico que talvez seja mais de qualquer um dos contribuintes portugueses que propriamente deles!!

No meio disto tudo talvez quem mais tivesse que estar revoltado fossem os pais de todos quantos estudam no ensino particular...porque pagam impostos para os "filhos dos outros" andarem a estudar, e pagam todos os meses uma propina para os proprios filhos frequentarem uma universidade privada.

Acho que vou convocar uma manifestacao dos paizinhos dos meninos e meninas da privada para frente da Assembleia da republica a pedir a devolucao do montante pago em impostos equivalente ao aplicado na educacao dos "filhos dos outros"!!

Tal como tive o cuidado de referir inicialmente, sei que sou suspeito para estar a falar neste assunto uma vez que para alem de tambem ser estudante, frequento uma universidade onde todos os meses tenho de dispender uma quantia "notavel"!

Espero os vossos comentarios a esta questao mais que actual, ficando tambem na expectativa de que se possa comecar a dinamizar este blog com uma salutar troca de ideias e pontos de vista!

Cordiais saudacoes bloguistas,


PS1:Voltando ah sexta feira ao serao...ca estou eu, e a pergunta impoe-se: "O que vou fazer para passar o serao?"

Cansado como estou o cinema estah fora de questao, bem como uma eventual sai­da de casa....estou muito caseirinho cof cof cof.

Pego no comando da Tv e faco um zapping

(de referir que eh o meu desporto favorito, nao cansa, nao faz suar...ok tambem nao sou assim tao preguicoso), voltando ao zapping, o panorama televisivo eh no mi­nimo deprimente.

Que eh isto???

RTP1: um teatrinho portugues em directo de pessima qualidade, pelo que me apercebo vejo ali no canto superior direito "Santos da Casa". Tenho a TV ah  2 minutos no teatrinho e acho-o digno de fazer concorrencia ah  pior das novelas venezuelanas com dupla dobragem em mexicano e posteriormente em brasileiro.

RTP2: Nao estou interessado em rever de novo o Telejornal que vi na RTP1 ah exactamente 2 horas e tal atras.

SIC: Super-Mega-Hiper-Fantabolastica-Gala do Chuva de Estrela 18 Edicao...perdoem-me...Idolos. Com uns fantasticos pretendentes a cantores. Sera que isto nao eh um programa de humor em que as atraccoes principais sao os membros do pseudo-juri?

TVI: UaU!!Telenovela Portuguesa! Vejo ali o Vergi­lio Castelo rodeado de putos e a Alexandra Lencastre....acabei de descobrir (pela voz-off da TVI, pq entretanto acabou o episodio) que se chama "Ana e os Sete". Estou em pulgas para saber o que se seguira...(ja continuo daqui a 5 minutos)......(5 minutos depois)..continua a publicidade e eu desisto da TVI


Prefiro nem continuar a descrever o zapping dos restantes canais que a TVCabo tras ate ah minha humilde residencia.


Esperem....a eurosport vai safar a honra do proximo 1/4 de hora, esto a dar o resumo do da Taca FIA (TT)...o que era bom durou quatro (4) efemeros minutos....

Porra...nem o filme do Telecine se safa hoje!!

Enfim resta-me terminar este ja longo texto e ir escolher um DVD que me ira distrair nas proximas 2 horas (se entretanto nao adormecer).

No entanto, nao sem antes deixar a pergunta:" Que eh feito dos seroes em que davam filmes da TV? Mas filmes que nao sejam postos em cena pela 69 vez no espaco de 1 ano!! Viva a TV de qualidade que se impos nos ultimos anos em PT (NOT)!!"


PS2: Desculpem la o delirio e o tamanho do testamento no PS1
By the way...esta foi a minha primeira vez no mundo bloguista eheh

12 Novembro 2003

Por lapso meu postei na passada semana textos que nada tinham que ver com o tema proposto (textos esses que já foram devidamente eliminados). Por tal ocorrência, peço as mais sinceras desculpas.

27 Outubro 2003

É certo que notamos à nossa volta, no meio académico e não só, uma crescente apatia nos jovens. Eu diria que mais do que apatia, o que se vê é conformismo, o que não sei se até mais grave. O pensamento parece ser: "isto está mal... mas se eu fizer alguma coisa pode ser que as coisas piorem para o meu lado, por isso é melhor deixar-me mas é ficar aqui quietinho, na carneirada e não fazer ondas". Este tipo de raciocínio trás implicito outro dos problemas de hoje em dia que é uma imensa preguiça ("Porque é que eu me hei-de mexer... isso só dá é trabalho") que é também o que leva a quase ninguém querer participar na politica, daí a fraca qualidade de uma parte dos políticos, o que leva a uma maior perda de interesse... é uma bola de neve.
Outro problema da juventude hoje em dia é que tem muitas coisas para fazer, muitas distracções, não nos podemos esquecer da globalização que nos entra pela casa e pelos olhos a dentro. Muitos jovens pura e simplesmente preferem fazer outras coisas que pura e simplesmente acham mais interessantes. E estão no seu direito, claro, o problema é que parecem não ver o que estão a abdicar. O argumento do costume é que como nascemos numa democracia não sabemos como era, que damos tudo por adquirido, que não precisámos de lutar pela nossa liberdade. A questão também se põe em muitas outras democracias e, apesar destes argumentos, parece-me ser algo mais do que isto.
Às vezes esquecemo-nos o quanto copiamos os mais velhos, mas se formos a reparar, tudo isto que foi dito não só vale para os jovens mas para a sociedade enquanto um todo. Daí a também enorme falta de qualidade de alguns dos dirigentes e lideres actuais, das manifestações ("Assim não pode ser, trabalhar sem receber", que raio de palavra de ordem... não pode ser? Não têm nada mais fortezinho do que isso?), etc.
Mas a verdade é que nós enquanto jovens temos uma responsabilidade maior. Não podemos deixar que os carreiristas e oportunistas e homens do aparelho (os "yes men") tomem conta dos cargos de importância seja onde for. Cabe-nos a nós sair do esturpor e fazer alguma coisa. Toca a acordar pessoal!

26 Outubro 2003

Venho por este meio experimentar o blog e achei que deveria dar o meu primeiro contributo. Não com nenhum artigo de opinião mas com sugestões para visitarem outros blogs. Não devem contudo deixar de participar neste, pois os blogs que vou passar a sugerir têm outra intenção, que é a de animar os que lá passam. Para muitos estes blogs poderão já ser vossos conhecidos mas acho-os excelentes, principalmente o segundo que para mim é uma descoberta mais recente.

http://omeupipi.blogspot.com/
http://gatofedorento.blogspot.com/

24 Outubro 2003

(Des)Intervenção dos jovens na sociedade

Em tempos conturbados como os que passamos, em que as instituições democráticas não funcionam correctamente e têm um clima de suspeição sobre elas, nada é mais importante do que acreditar que o futuro será melhor. Para tal é necessário que os jovens de hoje, que serão os líderes de amanhã, estejam conscientes dos problemas que a eles também dizem respeito.
A apatia dos jovens é um flagelo que se tem de combater para termos a certeza que o amanhã será melhor. É certo que os "nossos" combates são diferentes dos dos nossos pais e avós, no entanto, é preciso tornar esses combates em algo que valha verdadeiramente a pena lutar. Julgo que muitos dos jovens hoje em dia não sabem o que querem, daí o ruído e manifestações sem jeito, em vez de clareza e debate concertado com os que podem verdadeiramente mudar o rumo das coisas!
É com preocupação que olho para os diversos movimentos políticos e culturais para jovens e líderados por jovens, tudo devido a uma linha de pensamento estruturada, a falta de valores e ensinamentos para a formação pessoal dos seus filiados ou simpatizantes.
Será que "nós" estamos preparados para tomar conta do que quer que seja?
Será que estamos a beira de um Portugal onde o "amiguismo" valerá em deterimento do mérito pessoal?
Será que estamos perante um futuro onde a anarquia e o laxismo serão as palavras de ordem?
Deixo aqui o mote para uma análise para todos os que queiram participar no Artigo 37º.

18 Outubro 2003

Este blog tem como objectivo a trasmissão de ideias, pensamentos, críticas de um grupo heterogéneo de pessoas que têm como ponto de ligação, numa fase inicial, os fundadores, Raquel Lourenço e Miguel Brito. É absolutamente necessário que os intervenientes neste blog sejam capazes de expor as suas ideias de modo claro para que se possa criar um bom ambiente de discussão. Espera-se de todos o que esperamos de nós próprios, coerência, capacidade crítica e que respeitem as opiniões dos outros. Basta seguir o Artigo 37º da nossa Constituição e não haverá problema!

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